sábado, 15 de setembro de 2012

Uma Síntese Da Educação No Brasil.


Fonte:Educação não é mercadoria

As políticas educacionais e a mercantilização da educação

Desde o início dos anos 90, o Brasil é alvo de políticas orientadas por organismos internacionais. O Banco Mundial, através de seus programas de financiamento, empreendeu nos países em desenvolvimento uma política de reformas estruturais, cujo centro é a liberação dos mercados, a redução do papel do Estado e a transformação de direitos sociais em serviços exploráveis comercialmente.
A educação nas políticas do Banco Mundial cumpre dois objetivos: constituir um nicho comercial a ser explorado, principalmente no ensino superior, e disputar ideologicamente a população para o ideário neoliberal, naturalizando os efeitos da intensificação dessas relações de mercado, buscando inclusive resignar os segmentos sociais mais excluídos. Durante a gestão de FHC, essas políticas foram aprofundadas. Com estas orientações, o ensino fundamental foi priorizado, em termos de ampliação do atendimento, ao mesmo tempo em que o ensino superior foi totalmente aberto à exploração por instituições privadas.
O esforço de universalização do ensino fundamental se deu por uma política de fundos, que levou a mudanças na relação entre os entes federados e potencializou processos de municipalização deste nível de ensino. Enquanto estados e municípios reduziam drasticamente sua atuação na educação infantil e no ensino médio, a União acabou assumindo papel meramente controlador, destinando recursos a projetos que priorizam principalmente o setor privado e o pagamento de juros da dívida pública.
Sob o discurso do combate aos processos de exclusão, provocados pelos altos índices de reprovação, é implantado um falso modelo de progressão continuada, sem preparação dos docentes ou estruturas para seu funcionamento. Na verdade, um sistema de aprovação automática, cujo objetivo era a regularização de fluxo e a redução de custos.
Atendendo à diretriz de redução da estrutura estatal, promove-se o fechamento de escolas e a redução de pessoal, alcançados pela superlotação de salas e pela segmentação das escolas por níveis de ensino. Esse processo, além do impacto econômico, cria condições ideais para a municipalização e provoca uma fragmentação no trabalho docente, reduzindo assim também a capacidade de resistência dos professores às mudanças.
Paralela a estas ações, vemos uma ampla campanha nos meios de comunicação que procura atribuir a solução dos problemas da educação à ação voluntária da sociedade, apontando claramente para uma sistemática de desresponsabilização do Estado e de necessidade de parcerias com o setor privado.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Quem Paga As Campanhas Milionárias?


Fonte: site de Ivan Valente
publicado sábado, 1 setembro, 2012 às 1:11

Gilberto Maringoni

A Folha de S. Paulo do último domingo (26 de agosto) publicou interessante matéria intitulada “Ex-ministros, Orlando Silva e Andrea Matarazzo disputam vaga de vereador em SP”. O primeiro personagem milita no PCdoB e teve um início de vida pobre. O segundo é filiado ao PSDB e exibe origem aristocrática. A reportagem descreve as iniciativas de ambos para atrair o eleitorado e ganhar votos.
O trecho mais importante da nota está no final:
“Matarazzo, que tem cerca de 200 funcionários, pretende investir até R$ 5 milhões. Ele calcula precisar de 40 mil votos. Silva contratou 100 pessoas e fixou o teto de gastos em R$ 3,5 milhões”.
As afirmações não foram desmentidas. Logo, não há porque duvidar delas. Não se coloca aqui em dúvida a honestidade e a lisura dos candidatos.
As campanhas eleitorais duram três meses. Mesmo que haja investimentos preliminares – aluguel de sede para comitê, de carros e compra de equipamentos – o grosso do dinheiro é gasto entre julho e outubro. Na média, um milhão por mês.

Doações e retribuições

Essas quantias provêm das chamadas “doações” de campanha. É um dinheiro fornecido em sua maior parte por grandes empresas. Nada indica que os candidatos façam algo contrário à lei. As entradas e saídas são anotadas pelos comitês de cada um e submetidas ao escrutínio do Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
Doações de campanha não costumam ser doações de verdade. O eleito deve de alguma maneira retribuir o que foi investido em sua postulação. “Não existe almoço grátis”, dizia Milton Friedman (1912-2006), o guru dos economistas ortodoxos.
Em tese, o futuro parlamentar deveria pagar seus patrocinadores com o próprio dinheiro, para que não ficasse caracterizado algum tipo de troca de favores entre o eleito e o poder econômico.
No caso da Câmara de São Paulo, vale pensar como um vereador retribuiria tamanho aporte de recursos.
A partir de janeiro de 2013, o salário de um vereador paulistano chegará a R$ 15.031,76. É muito em relação ao que ganha a maioria da população, mas é pouco se comparado a salários de executivos de grandes corporações, que podem chegar a R$ 200 mil por mês. Em termos líquidos, o vencimento do parlamentar deve ficar em torno de R$ 12 mil, pagos 13 vezes ao ano.
Se multiplicarmos esses 13 salários ano por quatro anos de mandato, teremos um total líquido de cerca de R$ 624 mil reais. É todo o ganho salarial do parlamentar.
Assim, mesmo que o vereador não coma, não saia de casa, não gaste com energia, água, luz e telefone domésticos, não há como ele pagar – com recursos do mandato – “doações” de campanha entre R$ 3 milhões ou mais.

Como a oferenda é retribuida?

Candidatos majoritárias

No caso das candidaturas a prefeito, as verbas oriundas de empresas que servem a Prefeitura são maiores ainda.

No sábado (25), a mesma Folha de S. Paulo relatou o seguinte:

“Dados entregues pelos candidatos à Justiça Eleitoral mostram que, dos cerca de R$ 2,4 milhões arrecadados por Fernando Haddad (PT), R$ 950 mil foram repassados por duas empreiteiras: Carioca Engenharia e OAS. (…) José Serra (PSDB) foi o segundo que mais recebeu na cidade em julho e início de agosto. Além da direção estadual, que repassou por meio de doação oculta R$ 1,2 milhão ao tucano, a incorporadora JHS F pagou R$ 500 mil. Uma pessoa ligada ao grupo Zogbi, que atua na área financeira, repassou R$ 250 mil”.
Até agora as informações não foram desmentidas pelos citados.
Por que motivo uma empresa que presta serviços ao Estado – como empreiteiras, bancos, companhias telefônicas, elétricas, de transportes e outras – dariam dinheiro a candidatos sem exigir contrapartida?
Essa é a raiz da maior parte dos casos de corrupção entre poder público e iniciativa privada. Não se trata de um problema moral, mas essencialmente político.

Disputa assimétrica

Tais montantes desequilibram totalmente a disputa eleitoral e selam compromissos entre candidatos e empresas que, na maior parte das vezes, ficam ocultos dos olhos dos eleitores. Somente o financiamento público poderá trazer mais clareza e simetria entre as candidaturas.
Os grandes partidos não querem aprovar o financiamento público. Ao contrário do que se difunde, não haverá mais gastos do erário. Haverá menos. Hoje, as contrapartidas feitas pelos eleitos em favor dos financiadores – alguns casos estão vindo à luz na CPI do Cachoeira – são mais lesivos aos cofres de municípios, estados e união do que uma quantia determinada, cujos pagamentos seriam feitos de forma transparente e com mais equilíbrio entre partidos e coligações.
Caso os interesses existentes no Congresso impeçam a adoção do financiamento público, uma medida alternativa poderia ser implantada. Seria a obrigação das campanhas de todos os partidos apresentarem os nomes e logomarcas de seus financiadores.
Nada a estranhar. Qualquer programa de televisão, rádio, filme, jornal, revista, site, e produto editorial exibe publicidade e logomarca de seus patrocinadores. Por que as peças eleitorais deveriam ser diferentes?
Assim, não seria surpresa que um financiador de campanha fosse depois agraciado com a contratação para a realização de vultosas obras ou serviços públicos.

Quer dizer, não seria surpresa. Mas a esquisitice ficaria bem clara…

* Gilberto Maringoni, jornalista e cartunista, é doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de “A Venezuela que se inventa – poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez” (Editora Fundação Perseu Abramo).

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A Essência Do Estado Brasileiro, Onde Incompetência e Corrupção Andam de Braços Dados .


Para compreendermos exatamente a situação do nosso país me deparei com esse texto que demonstra de uma forma divertida e irreverente a trágica imagem do que é o estado brasileiro, administrado num misto de incompetência e conveniência, onde a coisa pública é tratada com total desleixo ainda que à custa de muito suor do povo brasileiro.

A Corrida De Canoas

Uma empresa estatal brasileira e outra japonesa decidiram enfrentar-se todos os anos numa corrida de canoa com 8 homens cada.
As duas equipes treinaram duramente, e no dia da corrida estavam em sua melhor forma, no entanto, os japoneses venceram com mais de 1 km de vantagem.
Depois da derrota a equipe ficou desanimada, o Diretor-Geral da estatal decidiu que ganhariam no ano seguinte, e criou um grupo de trabalho para examinar a questão.
Após vários estudos, o grupo descobriu que os japoneses tinham 7 remadores e 1 capitão, enquanto a equipe brasileira tinha 1 remador e 7 capitães.
Diante disso, o Diretor-Geral teve a "brilhante" ideia de contratar uma empresa para analisar a estrutura da equipe.
Depois de longos meses de trabalho, os "especialistas" chegaram à óbvia conclusão de que a equipe tinha capitães demais e remadores de menos.
Com base no relatório dos "especialistas" a empresa estatal decidiu mudar a estrutura da equipe, que seria agora composta por 4 comandantes, 2 supervisores, 1 chefe de supervisores e 1 remador.
Especial atenção seria dada ao remador. Ele teria que ser melhor qualificado, motivado e conscientizado de suas responsabilidades.
No ano seguinte os japoneses venceram com 2 km de vantagem.
Os dirigentes da estatal despediram o remador por causa do seu mau desempenho, e deram um prêmio aos demais membros como recompensa pela forte motivação que tentaram incutir na equipe.
O Diretor-Geral preparou um relatório da situação no qual ficou demonstrado que:
1-foi escolhida a melhor equipe;
2-foi escolhida a melhor tática;
3-a motivação era boa;
4-o material deveria ser melhorado;
5-no momento estão pensando em fazer uma licitação para adquirir uma nova canoa.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Dr. Euclides, Delegados Como o Senhor Sempre Deixarão Saudades!


Durante a nossa carreira como policial, assim como na vida, poucos são aqueles que conhecemos e que tem o poder de se destacar de forma positiva, ainda mais quando o tempo de convivência é exíguo, mas há seres que de tão iluminados só precisam de poucos instantes para serem notados e esse é sem dúvidas o caso do grande Delegado de Polícia, Dr. Euclides Batista de Souza.
Tive a sorte de conhecê-lo e a infelicidade de desfrutar da sua presença por bem menos tempo do que gostaria, mas ainda assim me contento por ao menos ter sido felicitado por fazer parte da sua vida profissional assim como por ele ter feito parte da minha.
Raros são os seres de tamanho caráter com os quais podemos conviver, homem educado, sério, justo, profissional na acepção mais ampla da palavra, fazia questão de tratar os outros pelo seu nome, como quem quisesse demonstrar o quão importante cada um era.
Contudo, forças que desconhecemos quiseram que partisse, nos deixando sua lembranças e a honra de tê-lo conhecido.
Descanse em paz Dr. Euclides, certo de que a sua passagem por aqui tivera uma importância e uma dimensão muito maior do que o senhor poderia imaginar, mas o suficiente para notarmos que o senhor era alguém muito especial.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O Dia Em Que Faremos "Direito".


Muitas são as justificativas encontradas para os fatos que ocorrem em nossas vidas, e certamente sobre algumas não temos influência, de nada adianta as nossas ações, contudo, da maioria deles os nossos atos repercutem de maneira definitiva, para o bem ou para o mal.
O que nos falta é autocrítica, pois invariavelmente a culpa nunca recai sobre às nossas costas, como seres humanos não lidamos com os nossos erros da mesma maneira que lidamos com o erro dos outros, até parece que nunca falhamos, que somos perfeitos, embora a história nos mostre que o contrário é a regra.
Somos permeados de defeitos, egoístas e pretensiosos até para julgar o que fazemos, nada mais importa se entendermos que estamos bem, e se acaso estivermos mal todo o resto também não tem importância, para nós a única coisa importante somos nós.
E diante da nossa conduta o que está claro é que só podemos estar bem se todos desfrutarem do mesmo sentimento, mas cegos por nossos vícios não vemos o que está à nossa frente, e parece que só perceberemos o que é óbvio quando tudo estiver à beira do caos, teremos que ver a escuridão absoluta da noite para vislumbrarmos o raiar do sol.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Censura.


Fonte: Wikipédia

Censura é o uso pelo estado ou grupo de poder, no sentido de controlar e impedir a liberdade de expressão. A censura criminaliza certas acções de comunicação, ou até a tentativa de exercer essa comunicação. No sentido moderno, a censura consiste em qualquer tentativa de suprimir informação, opiniões e até formas de expressão, como certas facetas da arte.
O propósito da censura está na manutenção do status quo, evitando alterações de pensamento num determinado grupo e a consequente vontade de mudança. Desta forma, a censura é muito comum entre alguns grupos, como certos grupos de interesse e pressão (lobbies), religiões, multinacionais e governos, como forma de manter o poder. A censura procura também evitar que certos conflitos e discussões se estabeleçam.
A censura pode ser explícita, no caso de estar prevista na lei, proibindo a informação de ser publicada ou acessível, após ter sido analisada previamente por uma entidade censora que avalia se a informação pode ou não ser publicada (como sucedeu na ditadura portuguesa através da PIDE), ou pode tomar a forma de intimidação governamental ou popular, onde as pessoas têm receio de expressar ou mostrar apoio a certas opiniões, com medo de represálias pessoais e profissionais e até ostracismo, como sucedeu nos Estados Unidos da América com o chamado período do McCartismo.
Pode também a censura ser entendida como a supressão de certos pontos de vista e opiniões divergentes, através da propaganda, contra-informação ou manipulação dos meios de comunicação social. Esses métodos tendem a influenciar opinião pública de forma a evitar que outras ideias, que não as dos grupos dominantes, tenham receptividade.
Formas modernas de censura referem-se a limitações de acesso a certos meios de comunicação, ao modo de atribuição de concessões de rádio e televisão por agências reguladoras ou a critérios editoriais discricionários, segundo os quais um jornal, por exemplo, pode não noticiar determinado fato.
Muitas vezes a censura se justifica em termos de proteção do público, mas, na verdade, esconde uma posição que submete artistas, intelectuais e o próprio movimento social ao poder do estado e infantiliza o público, considerado como incapaz de pensar por si próprio.
Atualmente a censura pode ser contornada mais eficazmente, com o recurso à Internet, graças ao fácil acesso a dados e a sistemas de partilha de ficheiros peer-to-peer - como a Freenet -, de maneira e independentemente de fronteiras geográficas.
A convivência quotidiana com a censura pode suscitar, entre os produtores culturais e formadores de opinião, uma atitude de defesa bastante corrosiva - a autocensura, que consiste em evitar a abordagem de certos assuntos ou a não expressar opiniões que possam gerar situações de confronto com o poder.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Físicos Dos EUA Afirmam Ter Achado Forte Evidência Da "Partícula de Deus".


Fonte: site G1

Físicos do Laboratório Nacional Acelerador Fermi, vinculado ao Departamento de Energia dos Estados Unidos, anunciaram nesta segunda-feira (2) que encontraram a mais forte evidência até agora da existência de um corpo subatômico conhecido como "partícula de Deus", ou bóson de Higgs.
A evidência surgiu com subprodutos da colisão de partículas no acelerador chamado de Tevatron, um dos oito aceleradores de partícula instalados no laboratório Fermi. A pista, porém, ainda precisa ser comprovada.
Os resultados indicam que o bóson de Higgs detectado no Tevatron, se existir, teria massa entre 115 GeV e 135 GeV (gigaelétron-volt), ou cerca de 130 vezes maior que a massa de um próton. O GeV é uma medida de energia, mas os cientistas medem a massa das partículas como se fosse energia, porque toda massa tem uma equivalência em energia.
Uma vez que os mesmos subprodutos da colisão que indicam a existência da partícula, também podem vir de outras partículas subatômicas, os físicos só poderão excluir outras explicações se tiverem confiança de 550 para 1, ou seja, de que há menos de 0,2% de chance de que os escombros da colisão não são do bóson de Higgs. Por convenção internacional, as probabilidades precisam ser mais próximas a 0,14%.
Em 2011, pesquisadores do projeto Atlas, Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern, na sigla em francês), que usam o acelerador de partículas mais potente do mundo, afirmaram que a massa do bóson de Higgs estaria entre 116 GeV e 130 GeV. Já os dados do CMS, que também é do Cern, mostram uma faixa bem próxima: entre 115 GeV e 127 GeV. O Cern prometeu anunciar na próxima quarta-feira novos dados sobre o bóson de Higgs.

Início de tudo

O “bóson de Higgs” é uma partícula hipotética que seria a primeira com massa a existir após o Big Bang e responsável pela existência de massa em outras partículas do Universo. Para encontrá-la, os cientistam colidem prótons (que ficam no núcleo dos átomos) e procuram entre as partículas que surgem desse impacto.
A física ainda não conseguiu descobrir qual é a origem da massa das partículas. O bóson de Higgs é a resposta teórica que responde a essa questão. Se confirmado, não causaria uma guinada nos estudos da física. Pelo contrário, significaria que a teoria que orientou os pesquisadores nos últimos 40 anos está correta. A princípio, a descoberta é importante apenas do ponto de vista teórico e não leva ao desenvolvimento de novas tecnologias.

Mensalão: Toffoli Fere Princípios De Conduta Judicial Das Nações Unidas.


Fonte: site Contas Abertas

Um dos onze ministros responsáveis pelo julgamento do processo do “Mensalão” no Supremo Tribunal Federal (STF), José Dias Toffoli, tem sido o foco atual de várias reportagens na imprensa, relacionadas tanto ao seu papel no STF quanto no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
No dia 28 de junho, no TSE, coube ao ministro o voto de minerva que liberou a candidatura de políticos com prestação de contas de campanha rejeitadas pela Justiça Eleitoral. Pela decisão, apenas candidatos que não apresentarem as contas eleitorais terão candidatura impedida, sem que seja feito julgamento do mérito – isto é, não é impedimento o fato de as contas, eventualmente, apresentarem irregularidades.
Contudo, o ponto culminante que colocou Toffoli no olho do furacão político é a relação que o ministro apresenta com réus do julgamento a ser iniciado no dia 02 de agosto, o Mensalão. Conforme matéria publicada em “O Globo”, a credibilidade de Toffoli tem sido posta em dúvida por procuradores da República, que estariam pressionando o procurador-geral, Roberto Gurgel, a pedir o impedimento do ministro.
Dentre as razões apontadas, destaca-se o fato de o ministro ter sido, anteriormente, advogado do PT em campanhas eleitorais do ex-presidente Lula, subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil, entre 2003 e 2005, ter sido assessor jurídico de José Dirceu – um dos réus do processo, de quem supostamente seria amigo –, além de ter como namorada e ex-sócia (do escritório “Toffoli & Rangel Advogados”) Roberta Maria Rangel.
Roberta Rangel atuou diretamente na defesa de três réus do mensalão: os ex-deputados Paulo Rocha e professor Luizinho, que a contrataram para se defenderem da acusação de lavagem de dinheiro, além do próprio José Dirceu, quando da tentativa de barrar no Supremo o processo de cassação de mandato.
Esses são fatos que podem ilustrar o que se configura como conflito de interesses, além de irem em direção contrária ao princípio da “Idoneidade” formulado em texto das Nações Unidas sobre a Conduta Judicial modelo, os chamados “Princípios de Bangalore”. O artigo 113, a respeito de “contatos inapropriados”, diz que “o juiz deve ter sensibilidade para evitar contatos que possam dar margem à especulação de que há uma relação especial com alguém a quem o juiz pode ser tentado a conferir uma vantagem”.
O mesmo capítulo da redação, que deve servir de exemplo para magistrados de todo o mundo, determina: “como objeto de constante observação por parte do público, um juiz deve aceitar as restrições pessoais que podem parecer limitações para os cidadãos comuns e deve fazê-lo de modo livre e com disposição. Em particular, um juiz deve conduzir-se de maneira consistente com a dignidade do ofício judicial”.
Já no Código Penal, artigo 252, o texto determina que “o juiz não poderá exercer jurisdição no processo em que tiver funcionado seu cônjuge ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive, como defensor ou advogado, órgão do Ministério Público, autoridade policial, auxiliar da justiça ou perito”.
A questão se Toffoli deve ser impedido ou não de julgar o mensalão se mostra espinhoso entre o magistério. Quando procurados pela redação, tanto o ex-ministro Sepúlveda Pertence, quanto o ex-ministro Carlos Mário Velloso, ambos ex-presidentes do STF, preferiram não comentar o assunto.
A redação do Contas Abertas não obteve resposta do gabinete do ministro Dias Toffoli para comentar o tema.

Princípios de Bangalore

Os Princípios de Conduta Judicial de Bangalore foram elaborados pelo Grupo de Integridade Judicial das Nações Unidas. Esses princípios foram formulados em abril de 2001, na cidade de Bangalore (Índia), e oficialmente aprovadas em novembro de 2002, em Haia (Holanda).

Palocci Terá Direito a Salários Por Quarentena. Brasil o País Onde o Crime Compensa!


Fonte: site da Folha de São Paulo

A Comissão de Ética Pública da Presidência República decidiu nesta segunda-feira (2) que o ex-ministro Antonio Palocci (Casa Civil) terá direito à remuneração pelo período de quarentena que foi obrigado a cumprir desde que deixou o governo, conforme o que está disposto no Código de Conduta da Alta Administração Federal.
Com a decisão, Palocci receberá o equivalente a quatro meses de salário, num total de R$ 106.892,60 -- considerando o salário de R$ 26.723,15 pago aos ministros.
"Todo o ministro de Estado faz parte de um conselho de governo, mas o chefe da Casa Civil, especificamente, faz parte de vários conselhos e fica impedido de atuar naquelas áreas durante os quatro meses, então tem direito à remuneração", explicou o presidente da Comissão de Ética, Sepúlveda Pertence.
De acordo com o Código de Conduta, ministros que tenham tido acesso a "informações que possam ter repercussão econômica" ficam impedidos, após a exoneração do cargo, de "exercer atividades ou prestarem serviço no setor de sua atuação, por um período de quatro meses, contados da exoneração".

SAÍDA DO GOVERNO

Palocci deixou o governo Dilma em junho de 2011. Em maio daquele ano, a Folha revelou que Palocci aumentou em 20 vezes o seu patrimônio entre 2006 e 2010. No período, ele exercia atividades de consultor privado.
À época, Palocci alegou sigilo para não revelar sua lista de clientes. O potencial conflito de interesse entre sua atividade privada e suas funções na Casa Civil, que envolvem poderes sobre todas as áreas do governo, forçou sua queda.

CENSURA

O ex-ministro também recebeu, por duas vezes, a aplicação da "censura ética" pelo caso das consultorias e pelo episódio de ter alugado um imóvel registrado em nome de uma empresa controlada por um laranja.
A aplicação da censura, no entanto, não implica em nenhuma restrição prática contra Palocci. Ficará apenas um registro formal de que ele teve problemas éticos no exercício do cargo. Mas Palocci continua com o direito, por exemplo, de ser nomeado para um cargo público.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Nível Universitário Para Investigadores e Escrivães de Polícia – Encontro Na Sede Do SIPESP, Só Desilusão!


Na data de hoje, que muitos divulgaram como limite para um posicionamento do governo tucano quanto à questão envolvendo o nível universitário para investigadores e escrivães de polícia, estive na companhia de alguns colegas na sede do SIPESP - Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo.
Lá, por volta do meio-dia, fomos recebidos pelo Presidente Rebouças, que sempre atencioso, educadamente nos convidou para a sua ante-sala onde passou a discorrer sobre as últimas novidades quanto ao assunto em questão.
A conversa durou mais de uma hora, e durante esse tempo pude perceber o seguinte, embora tenha tentado de todas as maneiras nos deixar ciente de tudo o que vem ocorrendo, nitidamente percebi que sobre o assunto ele está tão perdido quanto qualquer um dos interessados, por mais que tentasse transparecer estar atualizado sobre o que está acontecendo, inclusive contatando em nossa presença a assessoria dos deputados que compõe o grupo de trabalho, onde não obteve, ao menos em nossa presença, qualquer informação sobre o que estava ocorrendo.
Continuando, ele tentou nos convencer de que, se, infelizmente, o governo permanecer ignorando os nossos direitos, o caminho natural será a paralisação, e que, para tanto, o interior já estaria preparado para se juntar à capital em caso de greve, contudo, não sem antes comunicar aos órgãos envolvidos sobre o desfecho das "negociações".
Notei ainda, pouca convicção do Presidente Rebouças sobre o êxito do grupo de trabalho, que claramente servira apenas para iludir à todos os interessados, pouca convicção que também percebi sobre uma possível paralisação, pois me pareceu que ele acredita muito mais em atingir os objetivos por meio judicial, do que pelo embate e mobilização.
Sendo assim, destaco mais uma vez que essa foi a minha visão de tudo que ouvi do Presidente Rebouças, e que de alguma forma condiz muito com a posição das entidades representativas, assim como por parte do governo até o presente momento.